
Virgindade é um construto sociocultural, não se tratando, portanto, de um termo médico, uma vez que não existem evidências científicas biológicas ou fisiológicas que sustentem esse conceito. Nos dicionários brasileiros, a virgindade refere-se ao sentido de pureza e castidade mas, no senso comum, o termo remete à integridade do hímen que não foi rompido por uma relação sexual penetrativa. O valor moral e religioso da virgindade feminina tem suas bases nos ideais de pureza e castidade, presentes em diferentes tradições religiosas. No cristianismo, essa representação adquiriu força simbólica com a figura da Virgem Maria que permaneceu virgem mesmo após conceber Jesus. Este marco histórico foi sendo reforçado pela associação da virgindade feminina até o casamento, como um símbolo de pureza, respeito, honra e moral da mulher. Ao longo dos tempos, outros simbolismos foram sendo agregados para reforçar a representação social da pureza e castidade. O vestido branco e a expectativa de sangramento na primeira relação sexual com penetração vaginal passaram a ser, culturalmente, interpretados como sinais de virgindade. Ao passo que a ausência do sangramento significava “perda da virgindade” prévia ao casamento, o que poderia incorrer em sanções à mulher em determinadas culturas, que associavam o valor moral feminino à integridade do hímen. Para além dos danos e das inequidades impostos à mulher por essas construções baseadas no imaginário coletivo, este texto, visa rever as publicações mais recentes sobre o hímen. Isto poderá ajudar na desconstrução das narrativas relacionadas a essa estrutura anatômica que fizeram dela, um marcador do valor moral e sexual da mulher. Do ponto de vista científico, a presença de sangramento na primeira relação sexual não constitui evidência de virgindade, da mesma forma que a ausência de sangramento não permite inferir atividade sexual prévia. Devido a elasticidade e a ampla variabilidade das características morfológicas do hímen é impossível determinar a história sexual de uma mulher a partir dessa estrutura anatômica.


Hímen: lacunas no conhecimento médico que ainda afetam as mulheres
Highlights
· O hímen não comprova virgindade: sua morfologia e integridade não permitem determinar se uma mulher já teve relação sexual com penetração. · Sangrar na primeira relação não é regra: 44% das mulheres não apresentaram qualquer sangramento na primeira relação sexual, enquanto 32% relataram sangramento leve. · Uso de absorvente interno (tampão) e hímen: assegura-se que o tampão não provoca alteração no híme |
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