
Você sabia que uma mulher pode apresentar resposta genital completa lubrificação, ingurgitamento, vasocongestão pélvica e ainda assim não sentir prazer? Ou, ao contrário, sentir-se subjetivamente excitada sem que seu corpo produza qualquer resposta genital mensurável? A resposta está na fisiologia da excitação sexual feminina, que é mediada por duas vias independentes: a excitação central, processada pelo sistema nervoso central como percepção consciente de prazer, e a excitação genital, regulada pelo sistema nervoso autônomo por meio de neurotransmissores como o óxido nítrico e neuropeptídeos como o peptídeo intestinal vasoativo. Essas duas vias podem ser afetadas de forma isolada ou simultânea, o que torna o diagnóstico e o tratamento da Disfunção de Excitação Sexual Feminina um desafio clínico relevante. A condição afeta cerca de 41% das mulheres em todo o mundo e permanece subdiagnosticada na prática clínica. Fatores hormonais como o hipoestrogenismo pós-menopausa, o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina e alterações na função da enzima eNOS comprometem a resposta vascular genital. Fatores psicológicos como ansiedade crônica, estresse e imagem corporal negativa, por sua vez, atuam sobre a via central, interferindo na percepção do prazer. Compreender em qual dessas vias a disfunção se origina é o que orienta uma abordagem terapêutica realmente eficaz e individualizada.
Introdução
A excitação sexual feminina caracteriza-se pela sensação subjetiva de prazer central em resposta a um estímulo erótico que também produz uma resposta genital objetiva marcada pela congestão genital e lubrificação vaginal (1). Quando o estímulo erótico não produz sensação de prazer genital ou central mesmo na presença do desejo sexual, estamos diante da disfunção da excitação sexual. A classificação internacional de doenças (CID)-11 define a disfunção de excitação sexual da mulher (DES
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