A queixa sexual cresce ou torna-se crônica, à medida que novas camadas disfuncionais vão se sobrepondo ao longo do tempo. A avaliação clínica tem como objetivo identificar essas camadas para possibilitar que sejam removidas, sucessivamente, até que se chegue ao núcleo da disfunção. Na prática, a história clínica inicial, deve ser estruturada e conduzida de forma ativa para que todos os fatores socioculturais, psicológicos, relacionais, biológicos potencialmente envolvidos em sua gênese ou manutenção. Essa investigação permite ao terapeuta sexual identificar os fatores predominantes e selecionar, dentre as intervenções terapêuticas baseadas em evidências, aquelas mais adequadas para o manejo individualizado. As medidas educativas estão entre as principais estratégias na promoção da saúde e no tratamento das disfunções sexuais. A psicoeducação, constitui uma das estratégias terapêuticas mais utilizadas na prática clínica, sendo o modelo PLISSIT e suas adaptações, como o modelo EOP, os referenciais mais empregados para orientar a abordagem clínica. A reestruturação cognitiva e a metacognição constituem estratégias fundamentais no tratamento das disfunções sexuais quando estas são sustentadas por crenças distorcidas e negativas sobre a vivência da função sexual na perspectiva do prazer. Esta estratégia permite identificar vieses cognitivos derivados de crenças centrais e pensamentos automáticos que levam à hipervigilância e dificuldade de entrega. O desenvolvimento da metacognição possibilita que a pessoa se questione sobre sua interpretação dos fatos e desenvolva a autocrítica sobre suas reações, permitindo reestruturação cognitiva. Quando associadas à psicoeducação baseada em evidências, essas estratégias promovem mudanças cognitivas duradouras e contribuem para o tratamento das disfunções sexuais.
Além da queixa sexual: identificando o núcleo da disfunção.
A prática da terapia sexual voltada a resolução da queixa sexual de origem psíquica, pode ser compreendida por meio da metáfora da “bola de neve”. Assim como uma pequena bola de neve que, no seu percurso, acumula sucessivas camadas e aumenta progressivamente de tamanho, a queixa sexual, quando não tratada, vai incorporando camadas de fatores biológicos, psicológicos, relacionais, culturais e contextuais que vão sobrepondo ao problema ini
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Especialista em saúde e educação sexual com vasta experiência em orientação e prevenção.